Manifestamos, por meio desta nota, preocupação quanto às notícias veiculadas na imprensa nacional dando conta de uma eventual não nomeação por parte das autoridades da República do nome da Dra. Nísia Trindade Lima para a presidência da Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ – pelos próximos 4 anos. A preocupação se justifica pelo fato de ter sido o nome de Nísia o mais sufragado (por significativa diferença de votos, da ordem de 20 pontos percentuais) em processo eleitoral caracterizado por ampla participação e debate, processo, portanto, dotado de forte legitimidade. Sem dúvida, por esta via, a FIOCRUZ teria alcançado o consenso mínimo necessário para a gestão que terá início em janeiro de 2017. A eventual nomeação da segunda colocada, neste sentido, teria como implicação inicial atingir frontalmente as condições de governabilidade interna da Fundação, com todas as consequências advindas de um cenário de conflito e instabilidade.

Pelo menos três motivos principais nos levam a vir a público tendo em vista apelar para o bom senso e a responsabilidade das autoridades envolvidas no processo: a) a FIOCRUZ é uma instituição nacional e internacionalmente reconhecida por sua excelência nos âmbitos do ensino e pesquisa científica, básica e aplicada, com serviços essenciais prestados ao país nas áreas da saúde pública, ciências biológicas e políticas públicas. Sendo assim, trata-se de um patrimônio da sociedade brasileira cujo destino afeta a todos nós; b) a FIOCRUZ tem se caracterizado por possuir uma tradição de gestão transparente, democrática e competente, calcadas nos princípios da ética, do mérito e de sua função social precípua; c) a FIOCRUZ tem por principio trabalhar em paz, sendo distante de sua cultura interna o confronto, a instabilidade e a desconfiança mútua.

O país vive um quadro de grave crise econômica e de financiamento das atividades governamentais. O setor da ciência e tecnologia vive cenário particularmente desafiador, com ameaças de cortes em seus programas que significariam a extinção de projetos e programas da mais alta relevância para o desenvolvimento e a inclusão social. Fazer frente a este cenário deverá exigir maturidade de suas lideranças no sentido de se alcançar soluções cooperativas que nos permitam, na escassez, manter a excelência e a produtividade. O requisito básico de tais lideranças são os da legitimidade e do apoio interno de suas respectivas comunidades de origem, sendo esta a credencial decisiva de Nísia Trindade de Lima na FIOCRUZ neste momento.

 

Associação Brasileira de Antropologia – ABA – Antônio Carlos de Souza Lima

Associação Brasileira de Ciência Política – ABCP – Renato Perissonoto

Associação Brasileira de Ensino de Biologia – SBEnBio – Ana Cléa Moreira Ayres

Associação Brasileira de Estudos Populacionais – ABEP – Ana Maria Nogales

Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e Tecnologias – ESOCITE.BR – Ivan da Costa Marques

Associação Brasileira de Linguística – ABRALIN – Mariangela Rios

Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências – ABRAPEC – Sandra Selles

Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC – Felipe Leite

Associação Brasileira de Psicologia Social – ABRAPSO – Dolores Galindo

Associação Brasileira de Relações Internacionais – ABRI – Eugênio Diniz

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo – ANPARQ – Angélica Benatti Alvim

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação – ANPEd – Paulo Carrano

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia – ANPEPP – Maria Cláudia Oliveira

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Turismo – ANPTUR – Francisco Antônio dos Anjos

Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais – ANPOCS – José Ricardo Ramalho e Fabiano Santos

Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional – ANPUR – Geraldo Magela Costa

Sociedade Brasileira de Educação Matemática – SBEM – Regina Célia Grando

Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – SOCINE – Cezar Migliorin

Sociedade Brasileira de História da Ciência – SBHC – Christina Helena da Motta Barboza

Sociedade Brasileira de Sociologia – SBS – Carlos Benedito Martins

Sociedade Cientifica de Estudos da Arte – CESA – Dilma de Melo Silva

Sociedade de Arqueologia Brasileira – SAB – Flávio Calippo

Coordenação do Comitê de Ciências Sociais/CNPq – Maria Teresa Miceli Kerbauy

Coordenação do Comitê de História/CNPq – Luiz Carlos Soares

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